Comentário no blog dos Fenais da Ajuda, em defesa de uma verdade

Caro anónimo das 11:12, esta resposta é um subsídio de cultura para ti e para mais alguém que o queira aceitar, sobre a pequena grande história dessa banda rock, chamada "LáTrás"

A banda rock deixou de ter actividade provisoriamente (acho eu) por uma série de motivos. Entre estes motivos, está o facto de não terem instalações, facto contrário ao que o anónimo sugeriu, (e não apenas devido à falta do dono da banda). A banda pediu apoio à casa do povo, na altura pelo Sr Carlos Dinis Melo, que se prontificou a ceder um espaço atrás da Casa do Povo (daí o nome da banda), que tinha utilidade como arrumação e com uma mesa de ping-pong que não era frequentada. Até aqui tudo bem, a fase de "nascimento" da banda (a mais complicada)teve sucesso. O Nelson, entusiasmado com o projecto, foi comprando o material mínimo indispensável ao trabalho da banda. O problema veio depois do presidente ser preso(na altura O Sr Carlos Dinis Melo era presidente quer da Junta como da Casa do Povo). A banda começou a reparar que já não havia o mesmo clima harmonioso de outrora, e atestados de incompetência passaram a ser uma constante (quando não haviam razões que justificassem tal mudança de atitude).

Também começaram a ser levantadas várias calúnias, entre estas, por exemplo: tinham sido encontradas seringas perto do local de ensaio da banda, que os elementos não ensaiavam, que gastavam muita luz, que eram todos uns drogados, bêbados e outros adjectivos que não caracterizam de forma alguma os elementos da banda (só possível de acreditar por quem não se relaciona com eles e nunca foi assistir a um ensaio da banda rock).

Após estas várias complicações, a banda foi informada, pela actual direcção da Casa do Povo, que iriam precisar do espaço para fazer uma adaptação para garagem para a viatura da casa do povo. Sem local melhor à vista, pediram autorização para se instalarem nos balneários do campo de futebol salão (ringue). Com alguma relutância, lá conseguiram um novo espaço. Apesar do apoio dado pela Junta de Freguesia, a banda pensava que esta iria ajudar a dinamizar a actividade da banda (à semelhança do que se passa em todas as outras freguesias que organizam esse tipo de eventos, aonde na "Semana Cultural" todas as actividades lúdicas da localidade têm o seu contributo, como forma de valorizar e promover o seu trabalho, principalmente com influência no local onde se encontram inseridos), mas para para frustração dos membros, nenhum contacto deste tipo foi estabelecido, na altura, a presidência da Junta contava com a actual presidente da Casa do Povo (pois tinha a função de Vice-Presidente na altura em que Carlos Dinis foi preso).

Na ânsia de melhores condições (que não eram satisfeitas a nível local) a banda foi à direcção da cultura pedir apoio (instrumental), para melhorar as suas condições, pelo que foi-lhes descrito como proceder. Ao entregar o pedido oficial de apoio à Casa do Povo, chegou aos ouvidos da banda, como resposta, que eles queriam era "comer dado" (palavras ditas): além de gozar publicamente com o pedido de apoio da banda rock, a presidente da Casa do Povo não o correspondeu, desvalorizando-o e "estrangulando" uma vez mais a intenção de desenvolvimento desta Banda Rock da freguesia dos Fenais da Ajuda . A banda, extremamente desmotivada, continuou a trabalhar nos balneários, até ser informada que teria de abandonar o balneário aquando das festas de Nossa Senhora da Ajuda (suponho que no ano de 2005), pois as instalações iriam ser necessárias para dar apoio às festas de Nossa Senhora da Ajuda e à Semana Cultural. No fim de contas, a sala de ensaio esteve fechada durante todas as festas, e assim continua, à espera de melhores dias. Mas o material da banda teve de ser retirado com o máximo de urgência...

Mediante estas circunstâncias, e atendendo que a banda tinha as condições mínimas para actuar (fazer uma animação corriqueira, com músicas que foram êxitos de outras bandas e que correspondem ao património cultural português pop), a banda chegou a tocar durante missas de jovens (com outro repertório, como é óbvio) num jantar de S. Martinho (talvez porque dois membros da banda pertenciam ao Grupo de Jovens Nova Geração) e fizeram uma actuação na Ribeira Seca da Ribeira Grande;

acho que o anónimo das 11:12 deveria voltar a este blog e deixar o seu parecer sobre o que escreveu sobre a intenção do Sr José Carlos e a intenção da actual direcção da Casa do Povo, no que toca ao desenvolvimento cultural da freguesia.....

Para mais informações sobre a banda, consultar o site

www.latras.no.sapo.pt

Cumprimentos a todos os Veracruzenses......

Internet

Introdução

 

A Internet tem crescido rapidamente em todo o mundo. Passou de um grupo de redes reservado apenas a minorias militares e académicas, para um poderoso meio de comunicação. Um novo meio de comunicação, diferente de todos outros e com formas e formatos específicos. Um meio de comunicação cada vez mais explorado pelas entidades comerciais de qualquer espécie.

 

A Internet tornou-se um novo espaço (virtual) onde cada vez mais pessoas se ligam pelos mais variados motivos:

 

Procurar informação académica/enciclopédica sobre um assunto.

Encontrar empresas que lhes apresentem produtos e serviços que desejam.

Saber quais os autocarros, comboios ou aviões entre duas cidades.

Conhecer determinada região e saber o que nela podem encontrar.

Procurar livros ou discos, férias ou hotéis.

Efectuar operações bancárias e compras.

Aprender a usar mais e melhor a Internet.

 

Mas, quaisquer que sejam os seus motivos, ligam-se sempre para procurar, encontrar e utilizar informação e, - claro... - todos os divertimentos, produtos e serviços que surgem associados a essa mesma informação.

 

Sendo a internet uma temática muito abrangente, procurarei limitar-me à evolução e à sua aplicação generalizada.

 

 

 

 

 


 

1.   INTERNET

 

Origem e Evolução da Internet

 

A primeira antepassada da Internet nasceu em 1969, de um projecto do Department of Defense (Ministério da Defesa) dos EUA. Chamava-se ARPANET e tinha como objectivo a interligação de computadores utilizados em centros de investigação com fins militares.

Após a sua apresentação pública em 1972 e do estabelecimento das primeiras ligações internacionais um ano depois, a ARPANET continuou a crescer (lentamente) durante os anos 70 mas, por razões de segurança, continuava a ser uma rede estritamente controlada pelos militares e inacessível a largos sectores da comunidade académica internacional e dos EUA.

E foi no início dos anos 80, mais precisamente em 1983, com a adopção dos protocolos TCP/IP na ARPANET (da qual se separou a componente estritamente militar formando a MILNET), a criação da CSNet (Computer Science Network) e a sua ligação à ARPANET, que surgiu a verdadeira Internet.

Alguns dos principais marcos da história da Internet estão representados na imagem seguinte:


 

 

 

Ao longo dos anos 80, o ritmo de crescimento da Internet foi-se acelerando, tornando necessária a existência e funcionamento de estruturas de coordenação e cooperação entre o cada vez maior número de redes e operadores que a integravam. Assim, logo em 1983, foi criado o Internet Activities Board (IAB, agora designado Internet Architecture Board), dentro do qual se criariam, em 1989, o Internet Engineering Task Force (IETF) e o Internet Research Task Force (IRTF). Na década de 80 são ainda de destacar a criação da EUnet (European UNIX Network) em 1982, da EARN (European Academic and Research Network) em 1983 e da NSFNET (rede académica americana, responsável pela expansão das ligações das universidades à Internet) em 1986.

No final da década de 80 (1989) a Internet ultrapassava já os 100000 hosts (máquinas com ligação directa à Internet). Mas é nesta primeira metade da década de 90 que, com o desenvolvimento de novos serviços mais amigáveis e eficientes (como o Gopher e o WWW), se regista o verdadeiro boom da Internet. No início de 1996 a Internet devia contar com cerca de 9 500 000 de hosts e mais de 30 milhões de utilizadores (39 milhões de utilizadores de correio electrónico e 26 milhões de utilizadores do conjunto de serviços Internet, segundo o Third MIDS Internet Demographic Survey, de Outubro de 1995). Clique nos apontadores seguintes se quiser conhecer mais elementos sobre a evolução do número de hosts e do número de utilizadores.

Nestes últimos anos merecem destaque a aprovação nos Estados Unidos de medidas tendentes à criação das chamadas auto-estradas da informação em 1991 (HPCA- High Performance Computing Act) e 1993 (NIIAA - National Information Infrastructure Agenda for Action), a divulgação da World Wide Web pelo CERN e criação da ISOC (integrando o IAB) em 1992, a proliferação de ligações de empresas e organizações governamentais à Internet, o desenvolvimento do comércio virtual, das emissões de rádio (ciberestações) e de diversas outras formas de comunicação interpessoal na Internet, a realização da reunião cimeira do G7 (Grupo dos sete países mais ricos do mundo), em Fevereiro de 1995, sobre o futuro da sociedade da informação.

 

 

 

 

 

 

Expectativas dos utilizadores

 

            A utilização e desenvolvimento da internet revolucionaram o mundo em diversos níveis, principalmente no domínio económico e social. Qualquer cidadão, assim como as empresas, podem extrair múltiplas vantagens da sua utilização, utilização esta que se prende aos mais diversificados interesses individuais, alterando o conceito de comunicação.

            A internet constitui por si só uma fonte de desenvolvimento, que é potenciada com o desenvolvimento simultâneo de todas as novas tecnologias que normalmente surgem associadas ao seu desenvolvimento (comunicações por satélite, telecomunicações, maior qualidade e quantidade dos sinais transmitidos, etc). O conceito de aldeia global, em grande parte, só foi possível com a adopção desta plataforma de troca de informação de uma forma quase instantânea, que apresenta variadas vantagens sob diferentes perspectivas.

            Entre as vantagens mais facilmente quantificáveis são as que se relacionam com o comércio, aonde a actividade empresarial consegue relacionar as vantagens das opções estratégicas adoptadas com o recurso às novas tecnologias. Tornou-se hoje um dado adquirido que, salvo muito raras excepções, todas as entidades comerciais, de todos os sectores de actividade, poderão, de uma forma ou outra, obter claras vantagens em se ligar, instalar e apresentar na Internet, utilizando e explorando este novo mundo (virtual) para se dar a conhecer e comunicar com parceiros e clientes.

 

As empresas de maior dimensão têm a oportunidade de reforçar a sua posição no mercado ou rentabilizar a que já detêm, via inovadoras e sofisticadas formas de gestão de clientes e de promoção dos seus produtos, marcas e serviços. As médias e pequenas empresas têm a oportunidade de, com novas estratégias e novas formas de comunicar, atingir novos clientes e mercados até agora fora do seu alcance ou, melhorando a forma de comunicar, explorar de forma mais eficiente os mercados e clientes que já conseguiram.

 

Cada vez mais os utilizadores da Internet vão procurar, esperar, exigir, encontrar tudo o que pretendem. Mas também quererão obter resultados práticos nos Sites Web que encontram. As entidades comerciais preparadas para apresentar e disponibilizar informação com qualidade e fiabilidade, usando soluções específicas e interessantes e dispostas a promover activamente as suas extensões na Internet, terão certamente sucesso na Web.

 

 

Os sites

 

Cada Site na Internet é único, na medida em que representa uma extensão na Internet de uma empresa, uma marca, um produto, um serviço ou um projecto.

 

Cada Site na Internet é único porque deve surgir de objectivos claramente definidos e claramente integrados e articulados com uma gestão global.

 

Um Site na Internet pode assumir formas e servir objectivos muito diferentes:

 

Pode ser um simples cartão de visita, panfleto ou catálogo em suporte digital.

Pode servir como montra, loja ou escritório electrónico.

Pode ser uma presença inicial e moderada na Internet.

Pode ser um sofisticado e prestigiante site de apresentação institucional de uma empresa perante os seus clientes e fornecedores, perante um mundo cada vez mais global.

Pode ser uma verdadeira loja, um site de comércio electrónico, sofisticado e seguro.

Pode ser algo muito especial, um espaço próprio no mundo virtual - uma comunidade - capaz de desenvolver novas relações com interlocutores existentes, capaz de atrair novos visitantes, novos utilizadores, potenciais parceiros, potenciais clientes.

 

 

 

 

 

 


Conclusão

 

Cada vez mais pessoas e empresas acreditam que, no futuro, todos se ligarão à Internet em permanência para procurar e comunicar com tudo e todos. Esta comunicação global e contínua criará inúmeros e novos perigos - para os que a ignorarem ou utilizarem erradamente - e novas e fantásticas oportunidades - para os que se prepararem e a utilizarem correctamente.

 

É sabido que a Internet está a alterar as relações comerciais a diversos níveis: entre as empresas, entre as empresas e os seus consumidores/clientes, entre os próprios consumidores/clientes. Estruturam-se, via Internet, a cada dia que passa, novas formas de comunicar e negociar. Torna-se cada vez mais evidente que esse processo continuará ao ritmo actual ou mesmo se acelerará.

 

A Internet crescerá como uma forma privilegiada de Comunicar e Negociar. Continuará a alastrar irreversivelmente, complementando os mais inesperados equipamentos e serviços, integrando-se com telemóveis, televisões, rádios, automóveis, habitações, etc., etc. Não parará de evoluir, solidamente apoiada nas tecnologias de informação e comunicação. Será, cada vez mais, um instrumento precioso e preciso, fundamental nas relações entre a Empresa e o Exterior. Será cada vez mais um elemento estratégico a integrar na gestão de qualquer empresa de qualquer sector de actividade.

Trabalho análise espectralismo 1

Introdução

 

Neste trabalho irei tentar dar uma visão geral sobre uma corrente é vulgarmente denominada “espectralismo” e sobre a forma como a obra “L’esprit dês Dunes”, de Tristan Murail, está constituída. Elaborei este trabalho de acordo com os vários critérios e análise referidos pelo professor Carlos Marecos ao longo das aulas.

De acordo com as influências e do seu gosto pessoal, Tristan Murail desenvolveu uma composição assente em princípios que põem em relevo as características do som, exploradas ao longo de processos de “acumulação” e consequente “libertação” de energia. As ressonâncias fazem parte do fenómeno sonoro e contribuem para a construção desses processos. Os “modelos” utilizados pelo compositor são inspirados noutras culturas (Tibete e da Mongólia) e desenvolvidos ao longo da obra de acordo com os vários processos de transformação do som. Os princípios com que se baseia para dar corpo à sua obra fazem crer que os sons têm vida própria e podem levar a uma “deturpação” do campo sensorial. Para obter este “efeito”, o compositor tem como auxiliar as inovações tecnológicas dos sintetizadores, que permitiram estudar o espectro dos “modelos” e outros efeitos auditivos tais como a alteração das propriedades físicas do som como por exemplo alterações tímbricas. Estas alterações servem como base harmónica e contribuem para a obtenção do efeito miragem, tal que as suas modificações ao longo da obra devem ser encaradas como partes de um todo.

            A escolha da temática, dos recursos, efeitos e técnicas de composição levam o ouvinte a “entrosar-se” no “espírito” da obra, que tal como uma “miragem” ilude a audição, Murail crê que os seus processos conseguem o mesmo para a audição, onde tenta desta forma “mostrar” o efeito do som dos grãos de areia a colidirem nas dunas, que se assemelha à voz humana. É com base neste princípio sensorial que o contributo de cada alteração é essencial para a obtenção do efeito no todo, compreendido como um único fenómeno.

Nesta análise procurarei ser abrangente nos vários domínios em que abordar a obra e particularizando apenas no início da obra, de forma a conseguir uma boa coesão de conteúdos suficientes.
Espectralismo

 

O espectralismo pode ser considerado como uma corrente musical que teve início na década dos anos setenta principalmente em França. Tristan Murail e Gerard Grisey, ambos estudantes de Olivier Messiaen, foram membros fundadores de L’Itineraire, um grupo de compositores que em 1973 produziu as primeiras peças da denominada “música espectral”. Esta expressão refere-se à visão musical e filosófica de uma forma de composição, aceitando que os sons individuais não são objectos integrados num sistema (tal como na música tonal, modal ou na musica dodecafónica) mas como “sendo objectos vivos com nascimento, vida e morte”. Esta corrente musical caracteriza-se por usar sistemas de composição complexos em que os intervalos podem ser divididos em quartos ou três/quartos de tom, em vez da única divisão habitual até então: os meios-tons. Esta divisão surge da análise do espectro sonoro, onde se constatou que existem parciais que podem estar subidos ou descidos quanto ao temperamento de determinada nota musical. A divisão dos sons sempre foi objecto de controvérsia ao longo da história, pois até mesmo depois de ser adoptado o temperamento da escala, alguns dos harmónicos parciais dos vários instrumentos não coincidiam com as notas temperadas (por exemplo o 7º harmónico e o 11º harmónico).

Nesta corrente, o espectro sonoro é a “base” de composição. A forma como o som é exposto vai ser objecto da intenção do compositor e pode ser de acordo com vários critérios para a construção dos processos. Os processos não são mais que “construções” dentro de uma “construção”, que podem ser analisados do ponto de vista individual como do todo. É neste sentido que todas as formas de expor os conteúdos melódicos variam, a que se juntam os efeitos electrónicos, que combinados às possibilidades da orquestração servem como complemento a todos os processos pela sua capacidade de síntese electrónica e consequente infinidade de possibilidades de efeitos.

Nestes processos de composição, a componente vertical do som passa a ser a base da harmonia, pois cada som é um elemento que vale por si só. As alterações tímbricas, características de cada instrumento, são identificadas e são alvo de uma síntese computorizada prévia que permite, digamos assim, catalogar cada espectro sonoro. Esta possibilidade do espectralismo permite a união da harmonia ao timbre, o que implica uma expansão das noções tradicionais de consonância e dissonância. É com a utilização e alteração destas características que se obtém o efeito “miragem”, pois nem sempre o que estamos a ouvir é realmente o que julgamos ser.

As ressonâncias também podem ser utilizadas como base das alterações que podem caracterizar um processo e a sua duração também é tida em conta quanto à “vida” do som em questão. Devido às possibilidades combinatórias, a sobreposição de ressonâncias é fundamental para “reconstruir” timbres, atendendo às características do envelope sonoro, combinação dos vários parciais que caracteriza um timbre, desenvolvimento de momentos de tensão ou não, conforme as ressonâncias representem parciais graves ou agudos de intervalos próximos ou afastados.

O envelope sonoro, sumariamente, não é mais que as diferentes combinações do comportamento que os diferentes parciais de cada instrumento têm ao longo da produção do som, desde que este é produzido até à sua extinção total. Por este motivo, a noção de tempo é relativa, embora também seja “vaga" pois não é necessária uma fidelização ao metrónomo, pois o que importa é o gesto: o comportamento das ressonâncias e as combinações tímbricas originadas pelo decorrer da sobreposição das várias ondas sonoras. Estas têm a mesma lógica que o fenómeno físico do comportamento das vibrações por simpatia da caixa ressoadora de cada instrumento, que enriquecem o timbre pela presença de mais parciais em comum.

Estas propriedades acústicas (que são a base do estudo espectral de cada instrumento) para serem devidamente conhecidas necessitam de equipamento específico (normalmente computorizados).

Importa dizer que os princípios do espectralismo só tiveram possibilidades de aplicação prática (tal como Tristan Murail aplicou e desenvolveu) com o desenvolvimento da electrónica. Assim, como os espectros naturais nunca são fenómenos totalmente estáticos, a harmonia, a melodia, o timbre, a intensidade e a forma deixam de existir como entidades separadas, passando a ser considerados como partes do fenómeno sonoro global, que importa conhecer pormenorizadamente para poder haver uma construção eficaz do processo musical.

Electrónica

 

Só com o desenvolvimento da tecnologia digital foi possível o desenvolvimento dos princípios espectrais, em que a possibilidade de representar e construir as relações sonoras abriu novas portas na forma do seu tratamento sonoro. Hoje, podemos aplicar um som digital numa série de operações, algumas bastante abstractas. O IRCAM (Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique, Paris) e o STEIM (Studio for Electronic and Instrumental Music, Amsterdão), foram as instituições que talvez mais tenham contribuído para o desenvolvimento da integração da música digital em projectos artísticos interdisciplinares. Por exemplo, no programa AudioSculpt criado pelo IRCAM pode-se editar graficamente o sonograma de um som e sintetizá-lo.

Entre as possibilidades oferecidas pela análise de Fourier a nível digital (Discrete Fourier Analysis (DFT) e a Fast Fourier Analysis (FFT)) permitem, com um rigor extremo, conhecer a estrutura interna de qualquer som. Este aspecto, ligado às técnicas de convolução espectral (“multiplicação” de dois sons) permite a criação de sons que fundem as características de dois sons que são concluídos. Estas técnicas habitualmente conhecidas como morphing ou cross-synthesis, originam sons como, por exemplo, sinos com voz humana, que resultam da convolução de um som de sino com um som de voz humana. O grande rigor obtido na análise sonora pela análise digital de Fourier permitiu também que se começassem a realizar “sínteses instrumentais” de sons analisados digitalmente.

            Outra das potencialidades da electrónica é contribuir para o discurso musical com novas incursões tímbricas, com sons sintetizados de acordo com os modelos espectrais desejados, com efeitos novos, capazes de explorar potencialidades sonoras até então confinadas à altura específica das 12 notas utilizadas no sistema temperado.

            A utilização de sons acústicos e electrónicos tem a mesma importância para Murail, pois não deixam de ser sons que podem ser alvo de análise e de síntese, embora através de técnicas diferentes.

L’Esprit Des Dunes

 

De acordo com o compositor, as técnicas de composição desta obra são semelhantes às técnicas utilizadas por Giacinto Scelsi, a quem dedicou esta obra, assim como a Salvador Dali (pintor impressionista). Esta obra foi uma encomenda do Ircam em 1993 e foi estreada pelo Ensemble Intercontemporain em 28 de Maio de 1994, em Paris, sob a direcção de Pascal Rophe. A orquestração original é para duas flautas, oboé, clarinete, trompa, trombone, percussão, violino, viola, violoncelo, contrabaixo e electrónica.

A temática, ou se puder dizer, a fonte de inspiração de Murail (como já referi) baseia-se noutras culturas: nas dunas do deserto de Gobi e nos montes tibetanos, na cultura oriental (música tradicional da Mongólia e do Tibete). É conhecido o interesse do compositor por estas regiões, em que já teve mesmo oportunidade de visitar. Ao longo da obra esta temática está subjacente de várias formas. A própria disposição temporal dos processos é semelhante à forma das dunas, em que não são mais que a acumulação de areia em direcção à parte mais elevada, que corresponde ao ponto de maior acumulação, em que assistimos ao processo inverso assim que nos afastamos deste ponto. Para o compositor nada é mais relevante, depende sim da perspectiva. Tanto podemos dizer que as dunas são todas iguais, quando na realidade não o são, dizendo o mesmo das montanhas. O próprio título da obra é sugestivo ao conteúdo, pois o espírito das dunas é uma metáfora, onde cada elemento contribui para a percepção do todo.

A transposição de acordo com os critérios adoptados é ilimitada, pois, à semelhança de Messiaen que utilizou sons naturais para imitação de pássaros, Murail utilizou o “cantus firmus” (mongol) integrado no seu pensamento harmónico. A utilização dos 32 parciais da série da trompa tibetana, com as respectivas compressões e posteriores moldagens, formam um modelo de transposição quase infinito, pois além da relação entre parciais alternados, mesmo entre dois parciais consecutivos passa a haver a possibilidade de haver um intervalo subido e um intervalo baixado, além do intervalo natural dado pela série.


 

Ressonância e Timbre

 

Entendo a ressonância como um conceito de está ligado à vibração do som sob diversos aspectos. Assim, desta forma, todos os instrumentos musicais têm ressonâncias. Sem estas, os sons não teriam a configuração tímbrica que nos permite identificar cada um dos diferentes instrumentos. A ressonância foi descoberta por Galileu Galilei quando iniciou as suas pesquisas com pêndulos em 1602. A ressonância está presente sempre que há a possibilidade de troca de energia entre sistemas oscilantes. Esta troca de energia ocorre de forma coordenada, com frequências que são “potenciadas” de uma forma sinusoidal, anuladas ou “reprimidas. Conforme o instrumento, as ressonâncias também variam. Nos instrumentos de sopro, por exemplo, as ressonâncias são influenciadas pela coluna de ar, que origina frequências que são propagadas através de “nodos” ou ventos ainda dentro do corpo do instrumento. Assim, a vibração do corpo do instrumento, as diferentes formas de produção do som (ataques), as condições do meio envolvente, as características da caixa de ressonância, a intensidade, o comprimento de onda dos parciais e as características do próprio instrumentista condicionam as frequências emitidas a percepção do fenómeno sonoro.

Uma das características dos instrumentos de corda é a possibilidade das cordas vibrarem por simpatia em resposta à vibração da caixa de ressonância.

Ilustração 1- Exemplo das ressonâncias do violino


O atrito também influencia o timbre e a ressonância.. A pressão exercida pelas crinas provoca atrito, que põe a corda a vibrar numa determinada frequência. Quando o amortecimento é pequeno, a frequência de ressonância é aproximada à frequência natural do sistema, que é a frequência de vibrações livres. Por outro lado, a excessiva pressão nas cordas, teoricamente deveria favorecer produzir sons mais graves que a nota tocada, mas que na prática produz o efeito inverso. Tristan Murail utiliza o excesso de pressão nas cordas em momentos onde pretende um timbre metálico, como por exemplo na 2ª fase da primeira secção do primeiro processo. Neste caso, o atrito é o condicionalismo físico para a anulação das ondas sonoras e está presente em todas as superfícies de contacto, até chegar ao nosso ouvido. Pela experiência, conseguimos identificar os efeitos tímbricos desses “atritos”, como por exemplo catalogar uma sala de concerto de seca, ou com boa acústica

Um dos modelos em que o compositor se baseou foi no canto diafónico mongol (“Koomi”), que é produzido observando as características de ressonância atrás descritas. Esta é uma técnica de um grau de sensibilidade excepcional, característica dos monges que a desenvolveram ao longo das gerações. Esta técnica consiste em manter uma fundamental, e, com alterações fisiológicas (suponho que só nas cavidades de ressonância) conseguir provocar uma melodia de parciais harmónicos no registo agudo.

Murail utiliza estes princípios de modificação tímbrica como efeito textural. As ressonâncias são “mostradas” e desenvolvidas consoante os instrumentos utilizados na sua orquestração, técnicas de ataque, parciais da série espectral e intensidades diferentes para determinadas frequências da componente espectral.

De uma forma acústica, ao produzir-mos os parciais graves de um determinado instrumento, é possível identificar alguns dos seus parciais harmónicos superiores. Quando estamos perante os diversos acordes de ressonância ao longo da obra, entre as várias aplicações da sobreposição de timbres, existe uma tentativa de provocar esta vibração por simpatia, mas de uma forma inversa ao fisicamente possível. A utilização de trilos de forma esporádica ao longo da obra, entre as várias possibilidades interpretativas, é também uma forma de reforçar a vibração das ondas e salientar esta tentativa de referência a outros parciais.

Murail utiliza os diferentes instrumentos para que estes sejam semelhantes a uma grande caixa de ressonância, onde cada um deles é responsável simbolicamente pela vibração de uma determinada frequência. Com esta combinação de frequências, em intensidades diferentes, com novas inclusões, o compositor consegue estruturar uma série de efeitos, desde a reconstrução de um determinado timbre, até mesmo a uma melodia de timbres.

O som

 

De acordo com a sua concepção, Murail estudou o som com a tecnologia disponível e observou o comportamento e constituição dos seus componentes ao longo do tempo. Murail acredita que a música está a acontecer no próprio som e não com a mera combinação de vários sons. O espectralismo desenvolvido por Murail procura encontrar nas propriedades acústicas do som a sua razão dinâmica, e, daí, toda a estrutura que se pode desenvolver, ao nível harmónico, sensorial, tímbrico, condicionando o critério temporal dos processos (duração) que poderá revestir a obra nas suas várias partes e no todo.

Murail diz que a diferença entre os instrumentos está na diferença de intensidade dos componentes do som. Se o som for filtrado ou for combinado com outras frequências pode parecer “estranho” de um ponto de vista analítico, mas auditivamente as alterações não são facilmente reconhecíveis. Por outro lado, os seus componentes sofrem diferentes processos durante a emissão sonora. A estas alterações chama distorções harmónicas, que podem ser uma fonte infinita de combinações sonoras, depois de estudado o espectro natural dos instrumentos. Desta forma é possível construir harmonias, pois as relações sonoras têm comportamentos semelhantes, o que se pode traduzir num aspecto formal. A maneira como estas harmonias se desenvolvem ao longo da peça é resultado da técnica na construção da forma musical.

Assim, Murail utiliza os componentes do som como estivessem numa “palete” sonora e que são utilizados conferindo um novo sentido de fuidez, tensão e imprevisibilidade à linguagem musical. O seu desafio assenta em criar um novo sistema harmónico que possa ser estruturado, tendo por base o som como modelo, com a utilização de outras relações intervalares. Para conseguir uma melhor proximidade às propriedades do som, isto é, aos seus parciais harmónicos agudos, analisa a série espectral para além do 30º harmónico, o que o leva a adoptar intervalos inferiores ao meio-tom convencional da linguagem tonal.

Entre as várias técnicas adoptadas para a transformação do som, refiro: a opção de evidenciar ou omitir determinado parcial, comprimir ou dilatar as relações intervalares (algo já utilisado por Grisey) de forma a obter uma “variação” do espectro, a utilização de blocos sonoros referentes às fundamentais abaixo do limiar de audibilidade (segundo o mesmo princípio do canto diafónico “Koomi”), a utilização de determinado parcial com o intervalo expandido em comparação aos restantes (que não possuem o mesmo critério de alteração por comparação), a sobreposição de timbres e jogo de intensidades, de forma a simular a constituição de um determinado envelope sonoro.

 

Espectro

            Para poder basear-se nas séries da trompa tibetana e do canto diafónico, Murail teve de as analisar recorrendo à informática. Chegou à conclusão que a série natural da trompa tibetana apresenta uma ligeira compressão, e o canto diafónico, constituído por 5 parciais, apresenta-se dilatado.

                                  

Ilustração 2 -  Canto diafónico Mongol

 

 

Após definir a configuração da série fundamental desejada quanto ao grau de compressão, dilatação, Murail altera a relação intervalar pressuposta pelo critério adoptado, o que de certa forma pode ser entendido como “alterações”, que neste contexto tem o mesmo efeito que a música tonal: quanto mais alterações empregar (de uma forma relativa), mais se aproxima da tonalidade inarmónica. Ao usar este recurso, o seu objectivo é mesmo este: levar o ouvinte para outra realidade, de uma forma perspicaz, isto é, iludindo o campo sensorial. O aparecimento de notas “estranhas” à série é um recurso, inicialmente como forma de alterar de uma forma subtil a série espectral. Estas torções têm como resultado a ilusão sensorial que Murail tenta provocar, que serão cada vez mais óbvias à medida que vão sendo utilizados ruídos, acordes de ressonância, e até mesmo no motivo melódico inicial.

De acordo com estas torções podemos dizer que temos uma forma que identifica um caminho a um ponto máximo de “entropia” no processo, que encaro como o ponto culminante da obra, onde a evolução dos 3 processos foi obtida com as sucessivas fases de acumular e libertar de energia, que ao longo da obra têm uma directriz: a incerteza provocada no ouvinte. Esta incerteza é fruto do evoluir conjunto dos recursos, que a cada processo vão se desenvolvendo de forma diferente, na mesma linha de orientação do processo geral. Ao atingir o ponto máximo de entropia, há uma secção final que serve de reorientação espacial, onde parece que o tempo parou no ponto de máxima entropia e que o compositor descreve o comportamento do som.

 

Ilustração 3- Configurações do espectro

 

 

Nesta imagem tentei dar uma ligeira ilustração de como funciona a torção da série espectral, que como se pode observar, é ambígua na sua definição. Nem é comprimida nem é dilatada mas sim uma mistura de ambas. Esta mistura resulta da alteração dos critérios de compressão/dilatação da série em intervalos específicos, em determinado parcial. Perante estes casos, não é possível identificar a fundamental, a não ser que o compositor a mencione diga quais os parciais que foram alterados.

 

 

Parciais

 

Os diferentes parciais são utilizados sob diversas formas e combinações durante a obra. Desde as diferentes formas de ataque, intensidade, altura, série espectral utilizada, até às diferentes combinações tímbricas dos instrumentos de sopro e de corda. Com a utilização de certas regiões do espectro, o compositor pretende uma ambiguidade de interpretações quanto mais elaboradas são as alterações às séries espectrais. A inclusão de novos instrumentos na linha musical muitas vezes vem colmatar parciais que não estavam representados, como se fossem solistas para os quais a orquestração está construída.

Formantes

 

Os formantes podem ser definidos como os picos de energia numa região do espectro sonoro, realçando esses parciais. Estes são importantes para a caracterização do timbre. Enquanto o espectro de cada nota de um instrumento pode variar consideravelmente com a altura, as regiões dos formantes permanecem estáveis, seja qual for a frequência da nota, e é assim que conseguimos distinguir os vários timbres.

Ilustração 4 - Espectro do ruído branco

 

Através da análise espectral é possível reconstruir um determinado som atribuindo a um grupo de instrumentos as alturas e dinâmicas mais significativas de um espectro sonoro. É também possível criar secções de peças instrumentais que formalmente seguem a evolução do espectro de um som no tempo. A inclusão do ruído tem uma aplicação prática no ponto de vista físico, pois é uma forma de “sujar” os picos dos parciais. Quanto mais definido é o som, mais pontiagudos são os formantes. Como vimos, as características tímbricas variam conforme o caso, e aí a configuração dos formantes altera-se (apesar de se manterem os mesmos). O ruído vem alterar esta configuração, tornando-a mais “plana”, ou “suja”, pois o parcial não está facilmente identificado.

 

Forma e Textura

 

Posso considerar a textura adoptada na obra em algumas partes como uma melodia acompanhada. Contudo, só posso falar em textura se observar a forma. Na elaboração dos processos, não existem conotações texturais pois não há uma manipulação sistemática que a torne relevante, o que me leva a concluir que a forma e textura são um só: o processo de exploração do som a partir dos “modelos” adoptados. A noção de tonalidade é estranha ao critério de construção do processo e a única referência que posso considerar harmónica são as notas a partir das quais são elaboras as várias séries.

 

Tempo

 

Assim como a noção de tempo não tem um valor definido (tal como nas meditações, em que o tempo não é relevante), o silêncio é utilizado de forma perspicaz no final dos processos em que a obra foi dividida. A relação do ritmo com a fundamental não é transmitida sincronicamente, mas sim um processo considerado ele próprio natural, em que as modificações acontecem como num envelope sonoro, onde a ordem dos acontecimentos é entendida mais como um gesto, daí a sensação da “liberdade” do tempo ser também um recurso composicional utilizado por Murail com a utilização de compassos não medidos em algumas partes, e noutras, em que a indicação métrica é a semínima, a constante alternância dos valores do metrónomo vai em conta ao gesto de liberdade.

 

Estreia

Para aqui vou tentar colocar alguns dos trabalhos em que tenho investido algum do meu tempo.....
Não tenham qualquer tipo de complexo em comentar o que quer que for....
Afinal, só com críticas  é que me dão motivação para continuar e assim tentar melhorar  o pouco que aqui deixarei....

Aguardem